Preste atenção nas paredes em volta de você. Olhe para os lados. Elas estão paradas, não?
Intactas. Talvez algumas manchas, ou ate um buraquinho de prego, mas nada que possa prejudicar a imponente parede. Ela é muito forte! Quase impossível de se derrubar de mãos vazias ,e obviamente, vai estar no mesmo lugar por muito tempo.
A parede a minha volta tem mais de 50 anos. Idade do prédio do Instituto de Ciência e Tecnologia dos Alimentos, lugar onde trabalho.
Eu tenho 20 anos. E parece-me que este prédio seguirá adiante também, após minha morte.
Pra mim, essas paredes parecem eternas. Sempre existirão.
Agora olhe pra si.
Você percebe seu corpo e tem, pelo menos, uma vaga noção de quanto tempo tem de vida.
Independente da sua idade , você entende que um dia vai morrer. Percebe visivelmente as mudanças no seu corpo. Pode não compreendê-las, mas as sente.
O tempo lhe impõe limites.
Seu corpo deteriora, seu tempo passa.
Você tem consciência da sua existência, pois a sente, enxerga e percebe. Sua noção de tempo se constrói em base ao seu tempo de vida. Sua noção de vida, constrói-se em base a sua noção de tempo. Logo, o que não se pode ser visto, tocado, sentido, percebido, é abstraído e catalogado em sua mente como algo estático. Sem vida, sem movimento e sem mudanças.
Compreender os tempos das coisas é fundamental para conceber que tudo sofre com os processos a que estamos sujeitos. De certa forma, tudo tem vida, tudo se movimenta. E se tudo tem seu tempo assim como nós, tudo existe. Além de nós.
Em termos de lógica de massas, não saímos do formalismo idealista, minado de superstições,onde a religião prevalece e o foco das coisas é o universo individual. Como se as coisas existissem apenas porque a enxergamos, e não o contrário.
Em suma, há, em nível de massas, uma imcompreensão sobre a existência da matéria, que resulta em um raciocínio formal, de "A é igual a A" e "A é diferente de B", sem processos, sem tempos diferenciados, sem micro relações. Um raciocínio pobre. Individualista e construído ao redor do nosso ego.
Obviamente, esta forma de pensar não é unânime, o embrião de uma nova lógica já se pronunciou e esta nova lógica está intrinsecamente ligada a uma guinada fulminante em direção ao social. Ao pensamento coletivo, livre de falácias religiosas, livre de superstições.
Uma sociedade cada vez mais materialista, cada vez mais sofisticada em termos científicos. Onde o nível cultural de massas se eleve a cada dia e, junto com uma compreensão maior da própria matéria, a noção de tempo e espaço se amplie mais e mais.
Uma planta em um vazo. Uma montanha. Um cachorro, Uma floresta.
Tudo tem seu tempo.
Tudo perece.
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Um desejo desmembrado em forma de poesia... realmente tocante. Uma alma que almeja a união com tanta afetividade. Já imaginou um dicurso com essas nuances?
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